domingo, 8 de novembro de 2009

Os objetos

(...) E apertou os olhos molhados de lágrimas, de costas para ela e inclinado para o abajur.–Veja, Lorena, veja...

Os objetos só têm sentido quando têm sentido, fora disso...

Eles precisam ser olhados, manuseados.
Como nós.


Se ninguém me ama, viro uma coisa ainda mais triste do que essas, porque ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, vazio.

É o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza, o anjo sem anjo, fico aquela adaga ali fora do peito.


Para que serve uma adaga fora do peito? (...)


Os objetos - Lygia Fagundes Telles
(conto da obra Antes do Baile Verde)


2 comentários:

Glayce Santos disse...

Nossa, adorei isso!
A junção do texto com a imagem...
Já viu as outras todas desse projeto fotografico que transforma o homem num objeto?
beijocas

disse...

Bonito pra caramba, isso. Sentimental e tudo. Me remete à necessidade de sentir-se envolvido. Todo mundo precisa, né?

Quando não há pessoa ou coisa que tire-me o foco de mim mesma, fico inquieta e ansiosa: ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, vazio. [2]

Abraços