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sexta-feira, 11 de março de 2011

A invenção da infância




“Ao inventar a infância, a Modernidade cria a idade de ouro de cada
indivíduo. Fase em que a vida será perfeita, protegida e tranqüila,
antes de ser tomada pelas exigências do trabalho. Época ideal de
nossas vidas, em que ser criança é não ter qualquer outro
compromisso que vá além do gozo puro e simples de sua inocência.”
(Trecho da voz off no documentário A Invenção da Infância)

será???

Deixarei que o documentário "A invenção da infância" de
Liliana Sulzbac responda por mim.

O vídeo retrata o que é "ser criança" através do ponto de vista de várias crianças de diferentes classes sociais do Brasil. Foi gravado no ano 2000, mas as questões tratadas continuam se não iguais, acentuadas.




"Ser criança, não significa ter infância."

terça-feira, 13 de julho de 2010

O contínuo

Perguntaram-me:
- Aonde está o contínuo?
-Não sei, não o vi - respondi.

Não o vi, não porque ele não exista, embora façam questão de querer tornar isto uma verdade. Mas sim porque está em todos os lugares em todo o tempo. É onipresente, sem nenhuma presença, é apenas o contínuo...
Contínuo é um adjetivo, algo que deveria dar qualidade às coisas. E era exatamente isso, às coisas. De acordo com o dicionário :"máquina, ininterrupto, sucessivo, que não pára"
Não pára de fazer, não pára de ir e vir, buscar, levar, carregar,guardar...
É uma máquina de prestar serviço. É um contínuo, em um mundo que insiste em não valorizá-lo, em não pará-lo.
É um contínuo... Mas está imóvel em sua constante mobilidade.
Não pára nunca, nem ao menos pra pensar em se mover desse "lugar".
E isto, isto sim é contínuo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ah! O Johnny...

Johnny Depp é eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People.




E pela segunda vez, ein...


Me diz se não foi completamente merecido?


Lindo, sexy e ótimo ator.

Ah...Johnny Depp! Sempre será o meu eleito!



Ps: Nunca postei nada sobre homens e nem aspirações pelos belos, mas o Johnny merecia. Me desculpem os homens!


domingo, 1 de novembro de 2009

Sensível demais ...

... eu sou um alguém que chora.


Taí uma coisa que não me falam frequentemente: que sou sensível. Chorava à toa constantemente quando criança, mas depois de "visitar" uma psicóloga por alguns anos, esse quadro mudou e a fonte secou. Não era mais tão fácil arrancar lágrimas de mim, o caso tinha que ser grave, a raiva intensa e a dor inevitável.

No entanto, ando com os nervos à flor da pele (estresse de vestibular,é isso) e o que antes era difícil de acontecer, agora sai facilmente. Prova disso, foi o meu último sábado. Logo de manhã, comecei a assistir o documentário Diamantes de Sangue no History Channel; o qual mostra os conflitos que ocorreram na África devido ao tráfico de diamantes.

Ao assistir tamanha violência, miséria e sofrimento pelo qual os civis de países como Serra Leoa estavam submetidos, eu me perguntava como um ser humano pode matar, estuprar e decepar o seu semelhante? Ganância, dinheiro, interesse político? Sim, estes são os motivos apresentados, mas está além da minha compreensão, o fato de existir razões para matar.



Após quase duas horas de cenas fortes e depoimentos emocionantes, as lágrimas vieram quando uma moça africana conta como perdera o marido e o filho ao mesmo tempo. Os guerrilheiros cortaram a mão do esposo e ela o viu gritando "Eu estou sangrando, me cortaram". Logo depois ela, grávida, teve um pedaço de graveto enfiado em seu útero para que ela perdesse o bebê. Enfim, minha perplexidade diante de tamanha brutalidade e selvageria fez com que eu chorasse. Sim, eu chorei assistindo um documentário,e daí?




À noite pra fechar o dia eu fui assistir A Lista de Schindler (1993), um filme vencedor de 7 Oscar e super recomendado quando se trata sobre o Holocausto. Enfim, o próprio tema já é algo digno de se emocionar sem precisar de imagens. O longa retrata, com a 2ª Guerra como pano de fundo, a história de Oskar Schindler, um empresário que após conseguir acumular riquezas às custas dos judeus, salva mais de mil vidas judias, colocando-os na sua lista de empregados, evitando assim que eles fossem para os campos de concentração de Auschwitz.

As atrocidades anti-semitas de Hitler sempre me causaram repulsa e indignação, o que não foi diferente com esse filme. E é claro, eu chorei novamente, chorei com o filme e chorei com os depoimentos dos sobreviventes que estavam na lista.



É...Ontem foi o dia de ver até onde o homem vai quando se trata dos seus objetivos. E de lamentar pelas vidas que pagaram por isto que eles chamam de "interesse". Não há diamante que traga as vidas perdidas de volta e apague a dor dos que sobreviveram. E não há explicações lógicas para a perseguição e o ódio aos judeus. É tudo tão ilógico e anormal quanto o fato de eu conseguir chorar tão facilmente...


PS: Quem se interessar pelo documentário, ele está disponível no Youtube, é só clicar aqui.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O eterno cordão umbilical


"Foi-se o tempo em que videogame, desenho animado, livro infantil e parque de diversões eram coisas de criança. Está cada vez mais comum vermos marmanjões por aí que não fazem questão nenhuma de abandonar as brincadeiras de adolescente."
Guilherme Rampazo


Nos dias atuais, está cada vez mais comum encontrarmos pessoas adultas vivendo e agindo como se fossem adolescentes. Diante disso, fica a dúvida sobre a razão dessa mudança comportamental, e mais, sobre até que ponto ela é benéfica.

A sociedade não ficou alheia aos adventos da modernidade, a qual além de trazer mudanças tecnológicas, também alterou o comportamento humano. Hoje, devido aos estudos, trabalho e o alto custo de vida, o jovem/adulto permanece mais tempo na casa dos pais do que antigamente. Estes mesmos fatores, aliados a uma maior liberdde sexual, faz com que os adultos não queiram mais se casar cedo.

Vivendo mais tempo sobre a "guarda" dos pais, muitas pessoas deixam de passar por experiências necessárias a formação do adulto. Assim, elas acabam se tornando mais dependentes, e muitas vezes, acomodadas. Tal fato, cria pessoas inseguras, com medo de enfrentarem, sozinhas, as adversidades do mundo.

Quando não mais tiverem os pais como suporte e seguro, elas se verão perdidas; a quem chamar? A quem perguntar? Quem irá se responsabilizar? Dessa forma, terão de amadurecer forçadamente. A maioria, não conseguindo superar a falta dos pais, continuará agindo infantilmente, como uma forma de fugir da realidade.

Essa maior permanência no lar inicial é compreensível, desde que ela seja um passo para a sua formação acadêmica e aquisição de estabilidade financeira; e não por insegurança, imaturidade e comodismo. Os próprios pais devem deixar que seus filhos amadureçam. A superproteção pode criar problemas num futuro, no qual os pais não estarão aqui para cuidarem de suas eternas crianças.





Obs: Este texto é mais uma redação para vestibular, que eu disse em posts anteriores que iria passar a compartilhar com vocês. A proposta pedia para construir uma dissertação abordando possíveis causas para a "ADULTÊNCIA" que está tão comum nos dias de hoje. Bom, eu tentei.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Funk: cultura popular ou falta de cultura?

O Funk, ritmo musical típico dos aglomerados urbanos, surge no cenário brasileiro como forma de expressão de classes menos abonadas do país. Devido às letras que abordam temas como sexo, violência e drogas, muitos consideram o funk um estilo ruim e vulgar. Esse julgamento, muitas vezes, é oriundo da libertinagem e da venda de drogas que ocorrem nos locais de baile funk.

Entretanto, o ritmo vem superando esses preconceitos e está cada vez mais presente no ambiente de diversas classes sociais. Tamanha dispersão e aceitação, podem ser explicadas pelo ritmo dançante e letras comerciais, de fácil entendimento pela população.

Diante disso, o funk dever ser considerado uma manifestação popular; pois ele representa uma parte da população brasileira por possuir um estilo característico, uma mensagem singular e um público alvo em crescimento.

É inquestionável o fato de que os gostos musicais jamais serão unânimes, tampouco alguém é obrigado a escutar uma música que não lhe agrada. O que deve ser comum à todas as pessoas, é o respeito e o reconhecimento às diversas culturas. Não há culturas melhores, ou piores, há apenas diferentes.


Obs: Como estou sem tempo para novas criações, dividirei com vocês algumas de minhas redações de vestibular. Não são lá muito interessantes, mas quebram o galho. Frases clichês e argumentos objetivos serão comuns, afinal o vestibular não permite que eu mostre minhas garras e deixe minhas marcas. Tudo muito água com sal.

A proposta do texto acima, pedia para discutirmos se o funk era ou não uma forma de cultura do país. Pois bem, dei minha opinião, e de fato penso que seja cultura sim. Porém, o estilo não me apetece nem um pouco. Considero as letras ruins e sem nada para acrescentar. Mas, enfim, na hora do rebolation, eu até consigo chegar na velocidade 3...

Então, deixo vocês, com um pequeno exemplo do imenso arsenal funkeiro:


"Ae mulherada, quer emagrecer,
quer ficar gostosa?
Então vem com o bonde nervoso
senta, senta e rebola"

senta senta senta senta, toma
senta senta senta senta, toma
senta senta senta senta senta e rebola
senta senta senta senta senta e rebola

Senta e rebola
pra ficar com a perna grossa
Senta e rebola
Tcha tchucutchum, tcha tchucutchum

Senta e rebola
pra ficar com a perna grossa
Senta e rebola

Tu malha na academia
isso pra mim é palhaçada
vem dançar no baile funk
que tu fica mais sarada

Tu quer ter bumbum durinho
quer ficar coma perna grossa
eu já tenho a solução
desce,sobe e rebola"

Bonde do Nervoso - Senta e Rebola


Durmam com esse barulho.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lição de casa

Hoje de manhã estava assistindo ao jornal Bom Dia Brasil, da Globo, até que uma reportagem me chamou a atenção.

A monitora de uma escola municipal da cidade de Araçariguama, SP, incentivou sua filha a brigar na porta da escola. O motivo da briga não é supresa pra ninguém. Duas adolescentes brigando, só pode ser por quê? Por causa de homem, claro. De acordo com a Polícia Civil, o namorado de uma delas teria ficado com a outra. Acho interessante o conceito de motivos que algumas pessoas têm, mas enfim, isso não vem ao caso (não pra este post).

O fato é, as duas adolescentes se atracaram e a porrada rolou solta. Não por que não houvesse nenhum responsável por ali, pelo contrário, a mãe da agressora (a que começou a briga) estava presente e ao invés de separar as garotas, como era seu dever de mãe e monitora, além de não deixar ninguém intervir na briga, passou a incentivar sua filha a bater mais.

"Soca a cara dela"; " De direita, do jeito que eu te ensinei"; "Soca ela, seu pai está esperando no carro"; foram frases desse tipo que a mãe Meire Aparecida, disse no momento da briga. A monitora negou o incentivo em depoimento a Polícia e justificou a sua passividade, alegando que a filha deveria "aprender a se virar, se não apanharia em casa".

Por má sorte dela, ou sorte da agredida, o fato foi filmado e já está circulando em tudo que é lugar. É, não adianta negar D. Meire. O caso foi encaminhado para o Juizado Especial de São Roque, e Meire teve suas atividades suspensas.

Agora que está desempregada, D. Meire poderia pensar em abrir uma escola de artes marcias. Karatê, Jiu-jitsu, sei lá. Não é bater que ela está ensinando mesmo?

"Não criei filha para apanhar na rua".

Quem merecia apanhar era você, D. Meire. Pra aprender...pra aprender...




Aí está o vídeo do mais novo método de educação familiar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sorte de hoje

Todo o mundo conhece a Sorte de Hoje do Orkut. Algumas pessoas confiam naquilo, outras apenas leêm, pois é inevitável não ler qualquer frase posta defronte à nós (meu caso). Enfim, a sorte taí para cada um usá-la à sua maneira. Mas têm algumas frases, que eu não entendo porque o orkut designa como sorte. Vejamos algumas:
  • Escreva um depoimento para um amigo hoje.
  • Seu talento para o mundo dos negócios é evidente na sua personalidade.
  • Quem se apaixona por si mesmo não tem rivais (será???)
  • A sociedade prepara o crime, o criminoso o comete.
  • Venda as suas idéias – elas são completamente aceitáveis
  • Você subirá de posição social sem nenhum esforço especial (Mega Sena rules ou golpe da barriga, mas este tem um leve esforço,leve.)
  • O vício de hoje pode se tornar a virtude de amanhã. (Me dêem um exemplo,por favor.)
  • Hoje você vai ver um biscoito da sorte que nunca viu antes. (finalmente vou ver)
  • O orkut é um site imbecil, saia daqui e certamente sua sorte irá melhorar. (tá, é fake, mas eu gostaria de ler algo assim, mereceria até um print)
Eu ficaria aqui colocando zilhões de frases sem sentido. Porém, eu não sou à toa e nem vocês iriam ler tudo. Mas, para mim essas citadas acima e muitas outras parecem mais um horóscopo fajuto, do que sorte.Penso que sorte é algo como você ganhar na loteria, ter um dia bom, conhecer alguém legal, quebrar o dedo do pé na quina da cama, cair numa poça d'água, coisas do tipo. Não essas "boiolagens" de frases feitas no estilo auto-ajuda.

Aff. E porque raios eu estou me preocupando com isso? Não, não estou. Toda essa enrolação foi primeiro, pra postar aqui no P.G (nem sou cara de pau) e segundo, para mostrá-los a minha Sorte de Hoje e o que penso dela.

Pois bem, nesta maravilhosa Segunda-feira, o Orkut reservou essa pequena "sorte" para mim:

"Uma pessoa precisa de uma boa reputação para sobreviver"


Primeira consideração: ISTO NÃO É SORTE!
Agora vamos à minha reflexão sobre:
Não creio que esta seja uma frase verdadeira. Logo após lê-la, eu pensei nas grandes empresárias do país, "nas donas do próprio negócio", mais diretamente, nas garotas de programa. Elas não têm nenhuma rePUTAção e sobrevivem, diga-se de passagem, melhor do que muitas pessoas ditas dignas e idôneas. Taí, um primeiro contra-argumento.
Pensando mais um pouquinho, eu me lembrei dos políticos corruptos deste país justo e honesto. A maioria têm o seu podre, a sua maracutaia, o povo sabe e poucos se revoltam. O fim todos nós já conhecemos. E eles continuam lá, sendo chamados de ladrões, corruptos e filhas das garotas ali de cima, mas sobrevivendo mais do que bem. Melhor do que qualquer pobre,miserável e de bom "coração".

E agora, precisa ou não precisa de boa reputação? Creio que não. Sendo assim, eu reescreveria a frase acima dando um toque subjetivo à ela:

"Uma pessoa precisa de uma boa reputação para fingir aos outros que ela é o que não é, e assim ser pseudo-aceita pela sociedade."


Para mim é questão de aceitação e não de sobrevivência.

Esse Orkut,viu...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

DÓI SER BONITA?

ESTE NÃO É UM POST SOBRE DICAS DE BELEZA. HOMENS, LEIAM TRANQUILOS.

Se tem algo que seja universal à todas as culturas do mundo, em se tratando de mulher, isso se chama VAIDADE FEMININA. Por que não há mulher alguma que não queira se sentir bem, olhar no espelho e falar " Tô linda!" (mesmo que isso seja somente a sua verdade) e que não goste de receber elogios sobre o seu visual. Mulheres, não teimem em dizer que o importante é ser legal, nem venham, no fundo vocês querem um pescoço girando quando você passa, um fiufiu e não um "poxa,você é muito divertida e inteligente". Essa frase foi feita pra vir depois, se é que me entendem.

E como se fazer bela? Simples, passando horas e horas dentro de um salão de beleza. Uma hora (se tiver sorte) fazendo a unha, mais uma hora pra escovar os cabelos e mais outra horinha para a depilação. 3 horas no mínimo, isso se você descontar os atrasos, a hidratação, a espera da cera esquentando, enfim, dia da beleza é um dia, em partes, perdido. E eu simplesmente ODEIO ir ao salão. Mas odeio mesmo, me dá preguiça pensar que vou desperdiçar o meu dia nesse lugar, e geralmente isso acontece aos sábados. No entanto, em prol do resultado final, porque este sim me agrada e muito, eu abro mão das horas do dia e claro, abro a carteira também, afinal nada é de graça nesse mundo. E mulheres são caras, caríssimas.

Mas falando do local em si, o salão de beleza. Há salões e salões. Tem os vips, em que você mal entra e eles já pegam a sua bolsa, quase te carregam no colo, lhe oferecem um café, chá, suco, dentre outras coisas e sempre a chamam de Sra, Srta, tudo muito polido. A única parte aterrorizante é a conta final, mas o resultado (quase) sempre vale a pena. E Salão de rico geralmente tem as palavras "coiffeur" ou "estúdio" integrado ao nome, quando não, o nome do dono com aqueles sobrenomes chiquetérrimos.

Já no outro lado da moeda, existem os "Salão Fashion Hair" e "Cleide, cabelelero´s" (sim, com apóstrofo, porque é chique,bem e é lero mesmo) para a alegria das mulheres desafortunadas. Nestes, ninguém pega a sua bolsa, você chega e a joga num canto, a cabeleireira te cumprimenta efusivamente: "Ô Marinete, quanto tempo sua piranha, voltou pra abaixar essa juba,né?!

Porém, todos eles têm uma coisa em comum: a futilidade dos assuntos. Puta merda (perdão pela palavra), mas mulher quando junta, não sai muita coisa boa. Analise comigo, o que nós fazemos nesse ambiente bacana: enquanto esperamos o atendimento, se tiver uma revista para ler, ela nunca vai ser uma Economist ou Bravo!, só haverá Contigo, Tititi e no máximo uma Caras. A capa em si, já cria assunto pra muitos minutos. Falar da vida dos artistas é sempre polêmico. "Menina, Ivete Sangalo tá grávida???", "E nem casou, minha filha". Você desiste de ler e vai ver televisão, dependendo do dia e horário, sua cultura será enriquecida com Balanço Geral, TV Xuxa, Senhora do Destino, TV Fama , A tarde é sua e o polêmico Márcia, esse sim, cria inúmeras discussões. Você cansou da TV, vai prestar atenção nas conversas. O grau de importância é altíssimo, quase sempre o tema central é HOMEM. E mulher não tem escrúpulos pra falar da sua vida sexual, mal sabem os maridos e namorados que todo o seu desempenho está ali, aberto à várias outras mulheres. A última opção, é não fazer nenhuma das três anteriores e ficar quieta na sua, apenas observando. E eu sigo ela direitinho, entro muda e saio calada.


Agora me diga, todo esse sofrimento para ficar bonita pra quem? Para os homens ou para as mulheres?
Sinto muito rapazes, mas mulher se produz pra mulher. Por que o julgamento feminino é muito mais detalhista e cruel do que o masculino. Os homens só olham para o conjunto da obra, e o que eles reparam já está pronto, não precisa ser feito em salões de beleza.
Mas, mesmo com tantos sacríficios, sempre queremos ouvir o que Zeca Baleiro cantou em sua música, Salão de beleza :
Se aquela mulher é vaidosa eu não sei
Eu não sei
Vem você me dizer que vai a um salão de beleza
[...]
Baby você não precisa de um salão de beleza
Há menos beleza num salão de beleza
A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão
Mundo velho e decadente mundo
Ainda não aprendeu a admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro puro do engano da imperfeição

Que desperdicemos tempo, dinheiro e paciência nesse lugar abominável, mas que fiquemos lindas, seja pra quem for, melhor ainda se for pra nós mesmas!



Para que vocês, homens, não digam que isso é frescura de mulher.


Dói, ser feia? Não. Doloroso é ficar bonita. A feiura é natural.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

And isn't it ironic ... don't you think?

Já dizia Alanis Morissette, com a música Ironic.


"Well life has a funny way of sneaking up on you when you
think everything's
okay and everything's going right"

ou

"Bem, a vida tem uma engraçada maneira de te atrapalhar
quando você pensa que está tudo bem e tudo está dando certo
"



Hoje mais cedo, enquanto estudava história, mais exatamente a Crise de 1929, eu me deparei com esta imagem e imediatamente pensei:

Well, isn´t it ironic? Don´t you think?



Nada melhor que o modo de vida americano, diz o cartaz. Na frente, fila de desempregados, a maioria negros, esperando doações. EUA, década de 30.



Após a 1ª Guerra Mundial, o EUA apareceu como a nação mais rica do mundo, devido a inúmeras exportações para os países Europeus, paralisados pelo conflito. Com o desenvolvimento industrial, a população norte-americana passou a ter um estilo de vida consumista, onde a aquisição de bens era sinônimo de felicidade, o chamado American Way of Life. Entretanto, toda essa euforia teve fim com o crash da Bolsa de Nova York, causada pela crise de superprodução, em 1929. Durante o período da Grande Depressão, 80 mil empresas faliram nos EUA, deixando cerca de 15 milhões de trabalhadores desempregados.


Será que eles continuaram sorrindo como a família do cartaz acima?
Porque não fizeram um com o "Unemployed Way of Life. How to live without money"?


E a Alanis continua:

"And life has a funny way of helping you out when you think everything's
gone wrong
and everthing blows up in your face"

ou

"E a vida tem uma engraçada maneira de te ajudar quando você
pensa que tudo deu errado
e tudo explode na sua cara"



E a "vida" ajudou os norte-americanos...

A Depressão dos anos 30 interrompeu o ciclo de prosperidade dos EUA, mas após o término da 2ª Guerra houve uma nova onda de crescimento que manteria a hegemonia norte-americana sobre o mundo até os dias atuais (mesmo em meio à crises).




Eu odeio os Estados Unidos em geral. Não me agradaria ir para lá, só de graça mesmo. Mas meus filmes preferidos vieram de lá, as minhas músicas e bandas prediletas também são da terra do Tio Sam, eu visto jeans diariamente, uso tênis Nike, bebo Coca-Cola e ainda vou no Mc Donald´s.

And isn't it ironic ... don't you think?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A influência dos pensamentos

Pensamentos negativos atraem coisas negativas.

Frase mais velha do que a Dercy quando morreu. Não sou de depositar créditos nas frases populares, mas não posso deixar de falar que às vezes elas funcionam na prática. Até porque, se não funcionassem ao menos uma vez, como iriam ganhar tamanha fama? Pois bem, ontem eu presenciei a realização da frase acima e pude dar um voto de confiança ás sabedorias de Vovó.

Estava eu, sentada no ônibus (sim, mais uma história nesse ambiente agradável) próximo a roleta, quando três pessoas entram no veículo. Eram uma mulher, uma criança e um homem. Logo percebi que eles estavam juntos. A mulher passou a roleta, em seguida veio o que supus ser seu filho. O homem ficou para trás, pois estava segurando uma caixa enorme e teve mais dificuldade para se locomover. Quando ele finalmente vai passar na roleta, grita(sim, no meu ônibus é comum as pessoas gritarem) para a que eu também inferi, sua mulher:

- Ou, cê pagou sua passagi e a do muleque?
- Eu não! - a mulher responde em voz alta.
- Toma no cu, viu. Que carai, sô, cê tá folgada dimai aê.

A minha primeira reação foi esta:


What? Eu escutei isso mesmo? Um marido dizendo essas atrocidades para sua esposa? Foi isso mesmo? Sim, meus caros. Eu não sei nos seus, mas no meu mundo isso não é normal. Eu esperando que a mulher fizesse um barraco, gritasse e metesse a mão na fuça daquele boçal e... nada. Ela só mandou ele pagar a passagem sem reclamar. Hunf, juro que eu quis colocar meu pé na frente pra ele cair, juro.

Continuando o episódio, este ser sentou atrás de mim e eu tive de seguir a viagem escutando suas belas palavras: "Que porra sô"; "Eu já falei 'praquele' fidaputa me pagar, e nada daquela disgrama aparecer"; "Carai de vida,viu", etc, etc e etc.

Enfim, ele ficou o tempo inteiro proferindo palavrões e reclamando da sua desgraça, e claro, chingando sua amada esposa. Finalmente chega seu ponto de descida, ele pega a imensa caixa com seu jeitinho revoltado, totalmente estabanado e nervoso, resultado: a caixa cai na rua e eu só escuto um CREC. Não sei o contéudo daquela caixa, mas pelo barulho era de vidro e tinha virado pedacinhos o que antes estava ali. O sujeito, educado que só ele, pra fechar com chave de ouro, chuta a caixa ao som de "Porra, só faltava essa desgraça quebrar", POF e dá-lhe chutes nos caquinhos.



Confesso, eu ri, mas eu ri muito e pior, ri sozinha. Ah! Cara mais estúpido, merecia alguma liçãozinha (tá, eu duvido que isso tenha sido lição pra ele,mas enfim...).

Moral da história:
Reclamou, chingou, se estressou e se fudeu.
Bem feito.

Good vibrations, pratique. Por via das dúvidas, é o melhor caminho.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Universidade é inútil para as mulheres.

O Direito à liberdade de expressão foi uma grande conquista para a sociedade e principalmente para as mulheres, que ficaram durante muito tempo subjugadas às vontades, costumes e preceitos machistas.

O espaço hoje conquistado por elas, foi fruto das reivindicações do movimento feminista que surgiu na Europa, durante o século XVIII. O Feminismo é entendido por uns, como uma ideologia cujo objetivo é a igualdade entre os sexos, porém outros estudiosos o consideram como um conjunto de idéias que visam apenas defender os interesses e os direitos das mulheres na sociedade. Independentemente das suas variadas formas, o feminismo, como o próprio nome já diz, tem a mulher como foco central de suas lutas.

Se hoje, nós mulheres, temos o direito ao voto, à leis para gestantes, delegacias específicas, maior participação no mercado de trabalho e na política, remuneração igualitária para os sexos, controle do próprio corpo, divórcio legalizado e a liberdade de pensamento, devemos reconhecer o grande feito deste movimento que já dura três séculos. Também não podemos nos esquecer de que a luta ainda continua. Infelizmente, ainda há mulheres subjugadas por questões religiosas, a violência doméstica não teve seu fim e o preconceito entre ambos os sexos se encontra presente.

Em pleno século XXI, quando dizemos que somos uma "sociedade moderna", ainda encontramos grupos conservadores que criticam as mudanças trazidas pelo feminismo. Muitos consideram que o movimento pôs fim à família tradicional e patriarcal, com a mudança do papel da mulher na sociedade. Segundo eles, não há meios de ela ser mãe, mulher e trabalhadora ao mesmo tempo, sendo a família mais prejudicada. Outros, condenam a vulgarização e banalização das relações homem-mulher com a perda dos valores morais. Um ponto muito combatido pelas feministas que anseiam pela igualdade sexual.

Um exemplo da existência desses pensamentos retrógados, é o texto da estudante Patricia Witers. Essa garotinha, a qual não encontrei sua idade e origem, publicou no jornal de sua escola, um texto defendendo a idéia de que apenas os homens deveriam cursar o ensino superior.


Clique na imagem para ampliar.


Usufruindo do meu direito à livre expressão, quero explicitar aqui a minha profunda indignação e revolta com o texto acima.
Não concordo com nenhuma linha do que esta garota escreveu. Agora que estamos caminhando para uma sociedade que valoriza a mulher e o seu intelecto, eu vou me resignar e passar a "fazer as unhas e ir ao shopping"?
Nunca li tanta asneira em um só texto. A nós mulheres, só nos resta futilidades, os homens que cuidem do que realmente interessa. Faça-me o favor, querida!
Eu posso muito bem ter uma família, fazer as unhas e ir às compras sem que me torne uma topeira submissa e pare de estudar e trabalhar. Afinal, agora é a época da multi-mulher e porque não também, do multi-homem?

Ah, se eu visse a Patrícia na rua...



quinta-feira, 21 de maio de 2009

Mas, hein???

- Se cê tivesse superpoderes, o que iria fazer?

- Ah, eu iria mudar muita coisa aqui no Brasil...

- E quais os pobrema ocê iria resolver aqui?

- Esse seria o primeiro deles.

- Que esse?


¬¬ '




Foto meramente ilustrativa, clicada por mim, em algum boteco na estrada de Minas rumo a Bahia.

sábado, 2 de maio de 2009

Até tu?

Estátua com gripe suína (agora, Gripe A) em Acapulco, México.
Corram e comprem já suas máscaras de proteção. [ironia mode off]

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O capetalismo e nós


Annie Leonard é especialista em sustentabilidade e em impactos ambientais. Passou dez anos viajando pelo mundo á procura de respostas para a seguinte pergunta: "De onde vem as coisas que compramos e para onde elas vão quando as jogamos fora?"
E através de sua pesquisa, ela descobriu que a resposta vai muito além de extração de matéria-prima, produção, consumo e lixão. Com o propósito de mudar o pensamento das pessoas e mostrar à elas, o que segundo Annie, a mídia não mostra, ela criou o vídeo chamado A história das coisas, no qual é explicitado o capitalismo consumista e seus impactos tanto ambientais quanto sociais no nosso planeta.
O vídeo que certamente atinge o objetivo de fazer as pessoas pensarem, me chamou mais atenção quando Annie diz que pesquisas revelam que nos EUA (país mais consumista do mundo) a felicidade das pessoas teve um pico na década de 50. "Coincidentemente", também foi a época de maior consumo no país. E após os anos 50, a felicidade dos norte-americanos vem declinando cada vez mais. Ao explicar a razão para tal declínio ela diz: "Temos mais coisas, porém menos tempo para aquilo que nos faz realmente felizes."
Podemos perfeitamente pegar os resultados dessas pesquisas e a razão exposta por Annie, e encaixá-las no Brasil ou em qualquer país do mundo. A globalização também internacionalizou os problemas sociais.
Atualmente, induzidos pela mídia que nos incita ao consumo constantemente, mostrando suas inovações diárias e criando uma falsa necessidade de vários produtos, somos levados a querer comprar, comprar e comprar. É a geração do ter e não do ser. Foi criado o pensamento de que precisamos mostrar ao outro que temos o poder de compra, não basta apenas ter as coisas, é preciso exibi-las. E para isso, precisamos de dinheiro, o que nos leva a trabalhar mais, a estudarmos e nos qualificarmos em busca de melhor remuneração, para que no final de tudo, possamos comprar.
Trabalho e estudo, requer tempo e energia, e os dois últimos são todos direcionados para os dois primeiros. Aonde fica o tempo e a energia para o lazer, os amigos e a família? Estes não ficam. É preciso criar um tempo pra isso, o que sempre é adiado. "Outro dia a gente marca de se ver."
Quando não falta tempo, falta energia, e quando não falta energia(algo raro), não sobra tempo.
Isso é muito bem exemplificado no vídeo de Annie, segundo o qual, o trabalhador chega em casa cansado e a sua única opção de lazer no final do dia é a televisão. Ali, ele é novamente induzido pelas propagandas que ficam buzinando em sua cabeça que os produtos que ele já tem, são obsoletos e isso o faz sair para consumir mais, o que o leva a trabalhar para pagar as contas, criando assim um ciclo viciante.
Sem diversão e descanso, a diminuição da felicidade do indivíduo é iminente, assim como o aumento da insatisfação pessoal, que ás vezes é atenuada pela falsa sensação de felicidade que o consumo nos traz.
E nós, meros consumidores e perpetuadores desse sistema que está em crise, estamos no meio disso tudo, ora nos encaixando perfeitamente nesse ciclo maçante (imposto pelo) do capitalismo, ora tentando ficar alheio à tudo isso, nem que seja por alguns minutos.



Quem quiser assistir o vídeo "A história das coisas", que tem um lado muito mais ambiental e não menos interessante, é só clicar no site do mesmo ou no link do youtube que seguem abaixo (eu recomendo o do próprio site) :
Story of Stuff
Youtube

sábado, 21 de março de 2009

Duelo Pacífico



Dizem por aí, que ao envelhecermos ficamos mais inteligentes e maduros (a grande maioria, penso eu, mas sempre sobra um retardatário), e consequentemente também nos tornamos mais exigentes.
E eu que nem estou velha, muito menos madura, me encaixo perfeitamente nesse processo descrito. Hoje, com 18 anos de idade, sou incomparavelmente mais insuportável, selecionadora, crítica, exigente, chata e observadora do que há apenas um ano atrás. Enfim, ficou mais difícil me agradar. Não são todas as festas que me agradam, não são todas as roupas que combinam, não são quaisquer garotos que me atraem e não são todas as PESSOAS que eu gosto. E é delas que eu quero falar.
Pessoas, população, sociedade. Contatos físicos, virtuais, psíquicos, do além, em suma, contato humano. Interligados pela comunicação seja ela escrita, gestual ou verbal. VERBAL! Chegamos ao ponto. Conversas. Papos e pessoas. É a partir deste tema que meu texto realmente começa.
Conversar para mim, pode ser algo extremamente fácil e prazeroso tanto quanto obrigatório e tedioso. Adoro conversar, falar, me expressar, comunicar, desde que o interlocutor seja uma boa pessoa para exercer tais coisas. Com isso, criei classificações para as boas e as não tão boas, mas que sempre estão ali. Eu passei a separar as pessoas entre aquelas que são “Big Mac” e as outras que são “Pão com manteiga”.
Pessoas “Big Mac” são aquelas cheias de conteúdo, assuntos interessantes, questionadoras, inteligentes , de opinião firme, que não as mudam para agradar o outro e evitar uma discussão. Conversar com elas, é sempre uma viagem, um debate de idéias, comentários sobre os acontecimentos do mundo. Nestes dialógos nunca há espaço para o silêncio. Sempre há sobre o que se falar. Ah, como eu adoro pessoas “Big Mac”!
Já os “Pão com Manteiga” ... Tenho até preguiça de falar neles. Bom, estes são o oposto dos “Big Mac”. Eu poderia muito bem parar de falar sobre eles agora, mas assim estaria me tornando um deles. Então, vamos ao que interessa.
Estes sem gracinha dos “Pão com Manteiga”, são aqueles que conversamos mais por educação do que qualquer outra coisa. São vazios, nunca sabem ou têm o que dizer. Quando emitem uma opinião, sempre é sobre a vida alheia e nunca algo positivo. Falam que o dia está lindo, reclamam do calor, da chuva, da cidade. Perguntam como vai sua vida apenas por curiosidade mórbida em saber se você está se dando bem ou se ferrou, ou então agem novamente por pura educação. Uma das malditas imposições da sociedade.
É por conta dos bons costumes que aturo sorridente, estes “Pão com Manteiga”, é por que Mamãe ensinou, que eu os cumprimento e converso coisas banais e idiotas dessa nossa vida.
E será sempre assim, pois não existem divisões territoriais para estes grupos, eles são obrigados a suportar essa convivência forçada. O mundo continuará com os “Pão com Manteiga” dizendo bláblábláblá, e os “Big Mac” aham, anham, pra não render assunto, senão piora a situação.
Não posso comer um Big Mac todo dia, mas aquele pão com manteiga está sempre lá.

Os “Big Mac” são raros.

sexta-feira, 13 de março de 2009

(IN)DIGNO DE PENA


Todo dia eu pego um dos ônibus que mais rodam em BH, não conheço ninguém na cidade que não tenha entrado nele. E como ele passa por vários lugares, demora 40 minutos do meu bairro ao centro, que é o meu destino (cursinho). Durante toda essa longa viagem, quando não estou lendo, eu literalmente viajo, mas na "maionese". Penso em coisas que vão desde a menina que está gritando ás 6 horas da manhã no meu ouvido, no banco ao lado, até a Crise atual. E há umas duas semanas atrás, durante essa minha viagem, aconteceu algo diferente pra mim.
Um senhor entrou no ônibus com um menino pequeno no colo e mais duas meninas atrás dele.
Nem chegou a passar pela catraca, parou ali e começou a falar:
- Bom dia! Senhores eu gostaria de pedir um minuto da atenção de vocês.
Eu logo pensei, "Ah nem, lá vem esse povo de 'eu podia tá matando, robando, mas tô aqui humildemente pedindo a sua colaboração',aff". Como eu estava muito perto dele, no banco ao lado do trocador, não tive como não prestar atenção no que ele falava.
- Eu vim do Vale do Jequitinhonha, moro em Itinga e trouxe o meu neto pra BH, para ele fazer seu tratamento. Ô gente, o Lucas ele tem 3 anos e eu vou falar pra vocês sem nenhuma vergonha. Ele nasceu soropositivo.
Nessa hora, todas as faces se convaleceram pelo garoto e eu como boa observadora que sou, percebi os milhares de murmúrios de tadinho, os olhares de pena, os rostos transparecendo dor. Foi quando passei a reparar no menino. Ele estava com a cabeça raspada e o corpo cheio de bolhas estouradas, parecendo queimadura. Percebi que aquilo junto com o fato de ele ser aidético, tinha causado toda aquela reação das pessoas. E então o senhor continuou a falar, com um papel nas mãos à mostra:
- Ô gente, essas bolhas no Lucas não são queimaduras. Ele recebe do governo a maioria dos tratamentos de que precisa, mas eu estou precisando comprar uma sonda no valor de R$ 40,00 para tratar esses ferimentos, pois isso o governo não dá pra gente. Eu estou aqui com o exame de HIV do Lucas e o documento que mostra que ele está sob minha guarda. Agora, eu peço uma ajuda a quem puder dar. Podem confiar que o seu dinheiro será por uma boa causa.
Os documentos apresentados, tirando a dúvida de todos se ele estava ou não usando aquela criança para amolecer as pessoas e ganhar dinheiro fácil, me fez ver uma cena que eu nunca presenciei.
Eu abri minha bolsa e tirei a primeira nota que vi na frente. Doei R$5,00. Fui a primeira a entregar, afinal estava perto. Em seguida o ônibus inteiro se mobilizou para doar dinheiro aquele homem. Pessoas saíram dos seus assentos e foram até ele, lhe dando a ajuda pedida e algumas palavras de conforto. E eu reparei que não houve sequer moedas, todos doaram nota de 2, 5 e 10 reais, uma quantia alta para esse tipo de "doações". Aquilo comoveu as pessoas que estavam lá, uma mulher ao lado chegou até a chorar, dizendo que olhava para o menino e lembrava do filho dela.
E a palavra que mais se repetiu ali dentro foi PENA. "Tadinho, que pena", "É uma pena, uma pobre criança", "Que peninha", "Eu sinto tanta pena de um pai, avô não poder cuidar de sua família". Nisso quando não era as suas variações, "Ai que dó". "Ô dozinha".

Isso foi há duas semanas. Eu nem ia escrever sobre o que senti naquele dia, mas hoje o fato se repetiu. Ele entrou no ônibus e todas as reações descritas acima se repetiram. E eu lembrei da primeira vez. E resolvi falar do que eu senti.

Ao dar meus cinco reais à ele, eu me senti péssima, ao contrário da maioria no ônibus que sentiu como se tivesse feito a boa ação do dia. Eu não estava ajudando nada, estava apenas dando uma esmola para amaciar minha consciência, pra dizer, "eu fiz alguma coisa, olha como sou bondosa". Sou, porcaria nenhuma. Estaria ajudando de fato, se tivesse deixado de ir ao shopping, ter gastado 50 reais com futilidades, oferecido à ele e dito," Toma, compra de uma vez essa sonda." Ou então ajudado ele a arrumar o dinheiro, não sei! Feito alguma coisa de verdade. E eu não fiz nada, além de abrir minha bolsa e dar o dinheiro do meu lanche do dia. Ter feito aquilo não aliviou em nada a minha consciência, apenas fez eu me sentir inútil e fútil.

E além de tudo isso, eu não senti PENA do Lucas e do seu avô. Eu não consigo sentir isso em relação às pessoas, aliás, eu ODEIO pena. E sei o porquê. A última coisa que eu iria querer que alguém sentisse por mim, era pena, dó, piedade. Considero o pior sentimento que alguém pode ter por outra. E se não quero pra mim, não sinto pelo outros.
Quando alguém sente isso por outro, eu penso que é como se essa pessoa fosse incapaz de fazer nada por ela mesma, de tentar mudar aquela situação que causou esse sentimento. E a única coisa que lhe restou foi a piedade alheia, a pena, que considero eu, um sentimento no qual você finge sentir a dor do outro, mas jamais trocaria de lugar com ele.
Eu sei reconhecer quando uma pessoa sofre, precisa de ajuda, a situação não está boa, as injustiças do mundo. Sei sentir que isso é muito ruim e sei até chorar em certas situações.
Mas, pena, eu posso ter sentido em alguns momentos, e certamente odiei.

Tentei explicar da melhor maneira o que eu penso sobre a pena, sei que não me dei muito bem nessa tentativa. É um pensamento muito complexo, é díficil descrever uma coisa que só eu senti.
Eu tentei.


"Basta as penas que eu mesmo sinto de mim, junto todas, crio asas, viro querubim..."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sem idéias. Será?

Eu queria tanto escrever algo legal, fazer um texto interessante, criativo e original, porém nada me vem à cabeça. As idéias que dificilmente vêm se esvaem tão fácil que não as consigo guardar. Nem mesmo anotando, pois quando vou olhá-las, já não me parecem idéias tão geniais. É assim, com os textos, é assim com minha vida. O que hoje é algo fascinante, amanhã já se tornou algo comum para mim.
Não é por falta de pensar que não tenho idéias. Eu penso, penso muito, acho que até demasiadamente. E ás vezes penso que é por ter muitas coisas simultâneamente em minha cabeça, que não consigo captar uma sequer e a transformar em palavras.
Penso em minha vida, na vida dos outros, no mundo, nas atitudes e suas consequências, penso em histórias que vivi( que antes dignas de virarem histórias, hoje me parecem apenas lembranças que merecem ficar quietas).
Ultimamente eu venho reflitindo sobre como o mundo anda alienado. No modo em que as pessoas se vestem( com batinhas florais, um short minúsculo, óculos gigantes e papete da" planet monkeys"), no jeito que conversam e trocam idéias (as vidas nunca estão ruins, tá tudo uma beleza e todo mundo tá pegando geral, quieta e sem peguete?Não isso ninguém nunca está.) , penso em como o orkut se tornou um programa de auto-promoção social, e em como ter um perfil lindo e 300 fotos de baladas diferentes, com 30 comentários em cada, é ter status e ser "special" e pop. Mas eu penso em algo pior que não chega à uma resposta nunca. Sempre me pergunto em como conseguirei fugir deste mundo? Sendo que tudo me puxa, e me arrasta pra ele! Não posso negar que estou me alienando, que minhas roupas são da moda, e que sim, eu quero ir á 300 baladinhas, mas posso negar que meus pensamentos são massificados, não, estes não são.
Porque, por mais que pense em mil besteiras juvenis, eu ainda faço parte dos jovens que ainda pensam(ou pelo menos, acham que pensam).
O que era pra ser um texto de idéias, acabou surgindo algo maisoumenos.
É acho que falar da falta de idéia, já é uma idéia. Será?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quem entende letras de axé?



Axé,ritmo tocado incessantemente no carnaval e em micaretas superlotadas(e caras). De origem baiana e contagiante. É muito díficil estar numa muvuca, escutar o teretetê e não mexer nem sequer o dedinho. Eu confesso, gosto de dançar axé, que fique bem claro, DANÇAR, não é o tipo de música que eu escuto diariamente no meu mp4.
E já que se trata de um ritmo festeiro, sua última intenção é fazer as pessoas refletirem, conscientizar ou criticar algo. A intenção é clara, fazer a multidão balançar e se divertir. Mas, estava eu a escutar algumas músicas, quando parei e me perguntei: "Que diabos, essa música tá falando?"
..... Não obtive resposta alguma. Afinal,acho que não queria dizer nada mesmo. Rimou, era animada, então é uma ótima música axezeira.
Deixo aqui uma pequena amostra do que tentei decifrar:
Chiclete com Banana
"Eu boto queijo envenenado
Pro rato vir roer
E eu puxando o meu carro
Americanizou pra valer
Oh... yes, yes, yes, yes
Oh... no, no, no, no "

UADARRÉL IS THAT?

Essa se chama Aririô,não me pergunte o que é,também não sei.
"Choro, mas deixo um sorriso no ar
Nada pode me assustar
Donos do mundo querem sangrar
A beleza de amar
Cantando o reggae yô yô "


Agora é do Asa de Águia
"O medo passou
O avião é bom
Ele é meu
Voando por aí
Agora sou
Uma ave no céu
Batata tá
Batata tá"
Tá massa


Essa já é batida,mas nunca entendi:
"Vai, vai, vai, fica aqui meu avião.
Vem, vem, vem, que o brasil não tem vulcão.
Vai, vai, vai, suba aqui na minha moto.
Vem, vem, vem, aqui não tem terremoto."


Marcelo Tas fez o serviço pra mim e foi as ruas perguntar ao próprio baiano,o que essas músicas querem nos dizer.



Mesmo sem entender o significado do axé, de uma coisa eu sei, a energia que ela nos transmite, a alegria (mesmo que momentânea)de correr atrás de um trio, é algo inexplicável. Vai ver é por isso, que não tem sentido algum!

E afinal...
We are Carnaval
We are folia
We are the world of Carnaval
We are Bahia

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Lee Siegel: “A web é melhor para os idiotas”

A Revista Época fez nesta semana uma entrevista como crítico cultural Lee Siegel sobre seu livro "Contra a Máquina: Sendo Humano na Era da Ralé Eletrônica, editora Spiegel & Grau",no qual faz crítica à internet.

ÉPOCA – Por que escreveu o livro?

Lee Siegel – Em 2006, eu assinava um blog na New Republic quando uma seção da revista começou a publicar comentários anônimos, tais como “Siegel entrou no santuário de muitas pessoas, mijou nas urnas e pôs seu pênis no altar”, “Siegel é um retardado mongolóide” e “Siegel quer f... uma criança”. Acusaram-me de pedófilo! O pior é que tudo o que cai na web fica na web para sempre! Indignado, pedi aos editores para retirar aqueles comentários. Ninguém me escutou. Resolvi usar um pseudônimo para combater meus críticos. Com a suspensão do blog, decidi escrever a crítica à internet que desejava publicar havia anos.

ÉPOCA – Algo mudou de lá para cá?

Siegel – Não. Em abril, dei uma palestra no Google contando toda a história. Dez dias depois, um blogueiro anônimo voltou a s me chamar de pedófilo. Isso precisa parar. Francamente, apesar de ser jornalista e acreditar na liberdade de expressão, sou a favor de ações legais para acabar com essa forma de insulto anônimo.

ÉPOCA – O que deve mudar na rede?

Siegel – Ela precisa ser menos comercial. Os sites devem vigiar e proteger seus usuários contra abusos de terceiros, que fazem uso do anonimato para postar mensagens ofensivas. A web precisa mudar, criar um tipo diferente de cultura, no qual as pessoas não colecionem amigos como se fossem objetos. Precisa ser um lugar mais humano, que crie mais sentido na vida das pessoas.

ÉPOCA – Após 15 anos de popularização da internet, quais são seus prós e contras?

Siegel – No campo dos prós, eu salientaria as pessoas talentosas que não estão nos meios de comunicação. Elas agora têm voz e um meio para transmiti-la. Conseguem contornar as grandes vias de expressão como as redes de TV, as editoras e as gravadoras. Isso é muito bom. Do lado dos contras, a rede encoraja as pessoas a dizer o que lhes vem à cabeça, encoraja as mais baixa formas de expressão, como a crueldade, a banalidade e a mentira. Ela encoraja a autopromoção. A internet está acelerando a “comoditização” da vida privada, tornando a vida das pessoas um objeto de consumo.

ÉPOCA – A web realizou sua promessa libertária original?

Siegel – Não. Existem tantas vozes ressoando ao mesmo tempo. Não há liberdade, o que existe é anarquia. As vozes mais poderosas, sonoras e agressivas sufocam as mais sensíveis, razoáveis e sensatas. Não consigo imaginar um romance como Os Dublinenses, de James Joyce, obtendo sucesso na internet. Ou Kafka, ou Rimbaud, ou qualquer artista introspectivo e cheio de personalidade. A grande verdade é que a internet é melhor para os provocadores e para os idiotas, infelizmente.

ÉPOCA – Se a promessa libertária não se realizou, então o mercado dominou a web?

Siegel – Claro. O admirável mundo novo da internet, que seria uma alternativa para a mídia convencional, tornou-se uma nova forma de anarquia. Hoje, temos grupos como o Google, a Microsoft e o Yahoo!, ou Rupert Murdoch, o dono da News Corp., que comprou o MySpace. Ao comprar todos esses blogs e redes sociais, Murdoch e o Google estão, literalmente, comprando a vida empacotada das pessoas. Eles têm acesso a nossos pensamentos íntimos, que repassam para marqueteiros.
“Os blogs são como o espelho de Narciso. Na tela do pc,
as pessoas vêem o reflexo da própria perdição”

ÉPOCA – O senhor é contra o Google?

Siegel – Ele é assustador. O negócio do Google é comprar a alma das pessoas para depois vendê-la. O Google criou e domina a cultura dos sites de busca. Ele controla a relação entre o indivíduo, as empresas e o mercado. Seu negócio é virar as pessoas do avesso, expondo seus desejos mais íntimos para o mercado explorá-los e lucrar com eles. É terrível. Se eu fosse um neomarxista, e talvez o seja, diria que estão usando os mecanismos da democracia para criar uma forma autoritária de cultura, dominada e ditada pelas grandes empresas.

ÉPOCA – Os jovens trocaram os livros pela web. Isso é ruim?

Siegel – Em uma sociedade de massas existe um grande número de pessoas que parecem ter uma boa formação educacional, mas na verdade não têm. Há muita gente com diplomas universitários ou mesmo títulos mais impressionantes que não é mais culta que pessoas que não tinham diploma há cem anos. Não é surpresa que os jovens não leiam livros. A internet facilita o abandono da cultura impressa e torna mais fácil fazer da distração uma nova forma de disciplina. A internet é uma criação da cultura do entretenimento. Ela força a marginalização da cultura impressa, da reflexão e dos espaços de contemplação passiva de nossa vida.

ÉPOCA – O senhor alerta para o surgimento de uma sociedade isolada pelos computadores...

Siegel – Em relação ao efeito isolante da computação, quero dizer que, nos últimos 30 ou 40 anos, os americanos vêm progressivamente mergulhando num grande culto narcisista. Quando se chega ao ponto em que o indivíduo é elevado acima da sociedade, satisfazer as necessidades individuais torna-se mais importante que tentar criar relações com o próximo. A internet é o primeiro meio anti-social criado para o indivíduo anti-social. Ele está sozinho numa sala, na frente do computador, fazendo tudo o que antes requeria encontrar ou falar com pessoas, como fazer compras, reservar uma mesa no restaurante, encontrar uma namorada, se relacionar com amigos ou até fazer sexo. Pela primeira vez, pode-se obter aconselhamento médico sem consulta! É uma revolução nas relações sociais.

ÉPOCA – No livro, o senhor usa o termo Homo interneticus. Quem é ele?

Siegel – Usei esse termo para definir um novo tipo de personalidade, de alguém que não tem necessidade de outras pessoas. Creio que todos nos tornamos um pouco assim porque estamos ficando isolados devido a nossas engenhosas tecnologias de isolamento. Acho que estamos nos tornando mais impacientes uns com os outros e menos tolerantes com problemas de relacionamento com outras pessoas. Um reflexo disso é o empobrecimento da ficção e da dramaturgia nos Estados Unidos. Há cada vez menos gente que saiba como escrever sobre a vida com outras pessoas.

ÉPOCA – A China tem mais de 73 milhões de blogs. Quem os lê?

Siegel – Quem lê essas coisas? Ninguém. Pode-se argumentar que os blogs são uma forma saudável de expressão para quem não tem outro lugar para exteriorizar seus sentimentos a não ser esse vazio eletrônico. Por outro lado, essa tecnologia faz com que as pessoas se aprisionem em fortalezas construídas com suas próprias palavras, tornando-se narcisistas. A tela de computador é o espelho de Narciso, onde as pessoas vêem o reflexo da própria perdição.

ÉPOCA – Se tivesse o poder de mudar uma única coisa na web, o que seria?

Siegel – Proibiria as pessoas de usar pseudônimos. Eu as obrigaria a escrever o próprio nome e a sustentar suas afirmações.