terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Fuga inútil




Juliana não podia acreditar no que via. Seu coração pulsava freneticamente, sua respiração falhava, seus olhos brilhavam de um jeito que todo o seu corpo denunciava a qualquer mero observador, que algo mexia com ela, algo a desconcertava fortemente. E ele não era um mero observador, ele perceberia seu "efeito" mesmo que Juliana estivesse dormindo. Não porque fosse presunçoso, mas sim porque as reações dela eram sempre as mesmas. Sempre intensas.
Ela via há não mais de dez metros à sua frente, tudo aquilo que havia recusado a ver e sentir durante muito tempo. Foram três anos vazios de emoções, nos quais Juliana se recusara a sentir algo além de "passageiro", como ela mesma definira. Três anos em que tudo o que lhe trazia rubor à face, fora escondido, guardado à chaves em algum canto do seu subconsciente, deixando-a assim viver sem os fantasmas das lembranças e seguindo uma vida considerada normal.
Mas ali, com toda aquela proximidade, seus esforços foram em vão, e tudo o que fora escondido veio à tona. E mesmo com sua respiração falhando, ela pôde perceber que estava viva. Que realmente respirava, e sim, ela tinha um coração. E suas batidas doíam tanto, como se fosse um músculo atrofiado que começava a ganhar movimentos. Já fora de controle, Juliana começou a relembrar momentos, que antes eram duramente reprimidos.
Rapidamente eles estavam em seu quarto, numa conversa habitual, olhando fotos, comentando as poses, os fatos antigos. Até ali, eles eram apenas amigos. E de repente ele diz:
- Tenho saudades de passar dias inteiros rindo de você, me fazia bem.
- Eu também, é tão doído lembrar disso tudo. - ela disse.
E foi só o que disseram. No mesmo instante eles se abraçaram com um desejo incontrolável de se tornarem um só, seu olhares se encontram intensos, querendo mostrar o que não se podia ver, como se através deles cada um pudesse entender o que um significava para o outro. Seus lábios se tocaram com tamanha ansiedade. Um buscava ao outro como se aquilo doesse, mas também como se fosse vital. E assim, eles se amaram ardentemente durante toda a noite. Não havia perversão em toda aquela ânsia selvagem de prazer, eram apenas atos reprimidos que finalmente tinham sido libertados. Fora a primeira vez deles, como um casal.
Depois daquela noite, como que por instinto protetor, o contato entre os dois se cessou, não se falaram, nem se viram mais. Tanto ela quanto ele, fugiram do amor que sentiam, com medo de sofrer (mais). Pois, um amor que lhes tirava o fôlego e a razão de ser, senão pelo outro, não podia ter um final muito feliz. Alguém sairia irremediavelmente machucado se aquilo tomasse proporções maiores, ou seja, um relacionamento oficial. Assim pensara cada um dos dois, em todas as noites em que tentaram esquecer "aquela noite".
Agora eles estavam ali, próximos. Não mais em pensamento e sim em um ambiente real.
E coreograficamente, como se ambos tivessem se desprendido das mesmas lembranças e recuperado o equilíbrio, foram dando passos adiante, enfim se aproximando, até que pouco mais de vinte centímetros os separavam.
Os olhares se encontraram, os corações disparavam e as mãos se tocaram. De repente ele diz:
- Tenho saudades de passar dias inteiros rindo de você, me fazia bem.
- Eu também, é tão doído lembrar disso tudo. - ela disse.

12 comentários:

garra disse...

muito bom,
na verdd eu to sem reação nem sei o q escrever,
seu blog eh muito bom

se puder
http://sonabrisa.nomemix.com/
comente as postagen mais antigas tabem,
e entre na comunidade dele
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=23965519
atualização diaria.

Jolie disse...

Pois é. Eu li o diálogo do meio do texto umas 3 vezes, e me pareceu bem familiar. :x
Amei o seu blog. Não sei se entendi o sentido disso, mas entrarei sempre nas minhas TPM {épocas sensíveis, se é que me entende...}
Beijinhos [respondi seu coment lá no blog ;3]

O Banquete dos Mendigos disse...

bom texto! quem nunca teve um amor que se distanciou? agora, o milagre do reencontro poucos puderam vislumbrar.
então você conhece o caraça... legal, um lugar mágico, misttico, milagroso e uma porção de outros M's.

abraço, continue escrendo, no seu caso, vale a pena.

Carol Gertrudes disse...

Como eu já disse... Parabéns você tem futuro! ;D E como eu também já disse me lembrou um pedaço qualquer de New Moon e uma descrição de Stephenie Meyer (e isso é uma coisa boa!) mas ainda sim único. Me pareceu até um pouco familiar esse reencontro, se bem que no meu caso não tem nada a ver com amor e sim química... ;D

Mas, de novo, você tem futuro então escreva mais!
=]

Ronaldinho disse...

belo texto amiga

desejo a ti um excelente final de semana, fim de mês e começo do terceiro mês do ano, já???? ai ai...

bjsssssss

Marcos Pinheiro disse...

Poxa, que bom que você comentou em meu blog. Só assim eu tive a oportunidade de conhecer um bom blog que a partir de hoje vou começar a visitar.

Obrigado, viu?... Ó, parabéns pelo texto.

anna carolina disse...

Lindo lindo, parabéns!
Gostei muito do texto.
Super me identifiquei com a Juliana. (:

;*
http:minhasideiassoltas.blogspot.com/

Liipee disse...

Bom, primeiro, obrigado pela visita e pelo comentário, volte sempre em meu blog ta?:)

bom, segundo.
seu texto é ótimo.
a história é bem elaborada, e o final bem inusitado, como eu gosto.

só faltou uma coisita..
mais sentimentos nas falas..
de cada um..
mas tirando isso seut texto tá legal.
:)

bejocas
:*

Marcos Pinheiro disse...

Como assim sem entender?

O Frango... ® disse...

Vinicius... prontofalei!

Brinks! O texto ficou muito bom. Qualquer dia vou chamar Juliana para dar uma volta no galinheiro...

Natália Coelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Natália Coelho disse...

A Juliana manda dizer que o Frango tá cheio de graça e que ela aceita ir no galinheiro!