- Prossiga com sua explicação. – Duda insiste.
- Bom, creio que o que acontece com a gente é o mesmo que ocorre com as ondas. Você sabe o que é isso, né? Lembra de ondas sonoras, magnéticas, na água, etc?
- Lembro, sim. A luz também é um tipo de onda não é mesmo?
- Isso aí. Mas indo logo ao que interessa, essas ondas podem sofrer interferência. E esta pode ser construtiva ou destrutiva.
- Han... Não faço a menor idéia do que seja, mas pelo andar da carruagem, nosso caso é a destrutiva. – Duda diz, com uma cara de quem não acredita no que está ouvindo.
- Você também não espera eu explicar, poxa. – Juliana reclama –
A Interferência de ondas ocorre quando duas ou mais ondas estão “em fase”, ou seja, têm a mesma frequência, pense ritmo que fica mais fácil de entender. Quando essas duas ondas se encontram, cruzam uma com a outra, ocorre a chamada interferência.
- Huuuuum, tá clareando Ju, tá clareando. Continue.
- A Construtiva ocorre quando um vale, a parte baixa de uma onda encontra com o vale da outra, ou crista com crista, a parte mais alta. Quando isso ocorre é como se elas se somassem e ficassem maiores, entende? Já na Destrutiva, ocorre o encontro de vale com crista e nessa região não tem essa soma, é como se não tivesse passado nada ali.




- Nossa, captei vossa mensagem! Então, com essa aula toda, você quis dizer que os nossos relacionamentos estão sendo como Interferências Destrutivas. Eu, onda 1 encontro com onda 2. Durante um pequeno espaço de tempo nós pensamos que estamos na mesma frequência, mas logo depois, o “romance” acaba e ficamos como se nada tivesse acontecido, é isso?
- Exatamente, por isso que eu gosto de você. Pega a idéia rápido. – Juliana diz, satisfeita por ter sido entendida.
- E como solucionar isso, Ju? – Duda pergunta.
- Ah, não sei se tem solução não, viu. Acho que é só achando a nossa crista, se formos crista também, ou seja, alguém que combine conosco. Ou então aplicando a Difração.
- Difra o quê???
-
Difração, Duda. É a propriedade que uma onda tem de contornar obstáculos ao ser interrompida parcialmente por ele. Sendo assim, quando você se deparar com problemas, seja de qualquer espécie, dê seu jeito, passe por cima e siga em frente.

- Interessante, já vinha praticando isso há anos e nem sabia. Mas também, não sou onda né.
- Sabe, a Física pode ser aplicada ainda mais nas relações. Eu ando “viajando” nisso há um bom tempo. – Juliana olha pra cima e começa a pensar.
- Que o seu professor ou qualquer pessoa relacionada ao ramo, não te escute. Amém. – Duda dá seu toque irônico a conversa.
- Pensa comigo, Duda. Newton explica as interações entre os corpos muito melhor do que qualquer sexólogo que você já encontrou. – diz Juliana enquanto toma seu quinto copo de chopp.
- Amiga, você já está bêbada? – Duda diz, brincando.
- Tô não, merda. Você pediu pra sair comigo, agora vai escutar o restante dos meus devaneios.
- Tudo bem, Ju. Desembucha logo, vai.
-
Inércia. 1ª Lei de Newton, descoberta também por Galileu. Na ausência de forças, um corpo em repouso tende a permanecer em repouso e um corpo em movimento tende a se mover em M.R.U. Pronto, se nós ficarmos paradas esperando uma força externa vir e nos “mover”, vamos ficar eternamente no mesmo estado, sempre à espera de um empurrãozinho. É lei, amiga, lei. Deu pra entender? – Juliana diz, quase intimando Duda a concordar com ela.

- Caramba, pior que faz sentido mesmo. Me dá um pouquinho do psicotrópico que você anda tomando? Quero ficar doidona também.
- Você vai ver o que eu vou te dar. Hunf. – Juliana faz um gesto obsceno muito esclarecedor – Não posso esquecer da
3ª Lei de Newton também. A mais conhecida das 3, Ação e Reação. Quando um corpo A exerce uma força sobre B, este reage sobre A, com uma força de mesma intensidade e sentido contrário.
- Não tô acreditando que eu saí de casa pra aprender Física com você. Eu ia falar que suas aplicações na vida são muito interessantes, mas estou com medo que você se empolgue mais ainda . - revela Duda, já com a cabeça ancorada nas mãos.
- Vou fingir que não ouvi isso e prosseguir, ok? – diz Juliana enquanto dá um tapa em Duda para que ela “acorde”. – Se ninguém exerce uma força sobre você, em quem você irá reverter essa força? Ninguém, ou seja, está sozinha, sem nada para interagir. Lembrando que a 3ª Lei, só é aplicada em corpos diferentes. Não existe ação e reação em um mesmo corpo. Isso daí seria o chamado 5 contra 1. – Juliana ri sarcasticamente, ao passo que fica toda corada quando diz bobagens.
- Quando eu acho que você já imaginou tudo o que era possível, vem esse tipo de coisa e me surpreende ainda mais! – Duda começa a rir e pede mais um chopp para brindar a bela explicação de Juliana.
- Não há nada pior do que coisas estáticas, Duda. Lembra da Inércia? Então...
- É mesmo amiga. Mas agora acabou, né? O Dia 12 está indo embora, Newton, Galileu e Einstein já morreram e não podem fazer mais nada por nós. Vamos mudar de assunto? Olhar ao redor, o que acha? – sugere Duda, piscando o olho.
- Vamos sim, Duda. Mas só pra finalizar. A única força que anda me atraindo é a força da gravidade. Tá me puxando e muito, amiga. Sabe como é né, a tal da força Peso.
- Maldita força Peso! Agora muda de assunto ou eu vou ter que forçá-la a parar de emitir ondas sonoras e praticar a ação e reação, empurrando o chão para que ele me empurre pra fora deste lugar. Em outras palavras, vou-me embora daqui.

- Tá bom, amiga. Agora vou me utilizar das ondas da luz e dar uma verificada no ambiente. Afinal o dia ainda não acabou, não é mesmo? Mas como diria Einstein, "a ciência não tem sentido senão quando serve aos interesses da humanidade."
Peço perdão aos físicos pelo modo leviano que tratei a ciência de vocês. É apenas uma historinha sem nenhum fim didático.